Certa vez conheci uma empresa que vivia de nostalgia. Mencionava o tempo inteiro sobre suas vitórias no passado, suas inovações e como conseguia se diferenciar das demais naquela época. Possuía a melhor equipe, produtos e o faturamento era invejável. No entanto, atualmente vivia uma situação totalmente diferente. Não conseguia ser competitiva, sofria excessivamente com a concorrência, os clientes não davam qualquer preferência e a equipe era desmotivada, desunida e desinteressada.


Aos poucos identifiquei que devido a empresa ter contemplado tempos dourados, imaginou que nada mudaria e se estagnou. Deixou de investir em tecnologia, não incentivada novas idéias por parte de sua equipe, ao contrário, quando alguém sugeria algo, barrava logo no início, não dando oportunidade nem ao menos do colaborador finalizar seu raciocínio. Enfim, esta empresa insistia em viver como era no passado, com os mesmos produtos e mesma gestão, sem inovação, sem diferenciação e com muitas resistências.


Observei que a empresa possuía muitos profissionais altamente qualificados, mas improdutivos. Improdutivos porque a empresa criava esta situação devido aos bloqueios impostos pelos gestores. Assim como existiam aqueles profissionais que realmente não tinham mais o perfil adequado que a empresa precisava para ser mais competitiva, mas, na atual situação, se igualavam aos profissionais diferenciados que por sua vez, haviam se acomodado devido a falta de expectativas.


A grande tarefa foi demonstrar a empresa que nem sempre a postura do passado representaria sucesso no presente. O mundo é dinâmico e as empresas são orgânicas, precisando se adequar a estas mudanças, seja em tecnologia, estratégia ou em gestão organizacional. O ciclo deve funcionar em harmonia: instituição, processos e pessoas.


Foi desenvolvido um plano estratégico onde a empresa passou a ter uma melhor visão do que seria necessário para voltar a ser competitiva. Novos conceitos foram apresentados, as equipes foram requalificadas e reorganizadas, a empresa foi profissionalizada e os processos redesenhados.


Aos poucos vários resultados surgiram: a equipe se encontrou mais motivada pois passou a ter desafios, objetivos, metas, reconhecimento e até alguns incentivos foram criados para ampliar seus desafios e motivação. Ficaram satisfeitos em ver que suas idéias começavam a ser ouvidas e até mesmo acatadas e eram reconhecidos por isto. Os produtos sofreram inovações as quais foram muito bem aceitas por seus clientes, reaquecendo o relacionamento comercial existente e os fornecedores voltaram a se aproximar de forma mais interativa com a empresa, participando das idéias e investindo conjuntamente nos novos produtos.


Gradativamente esta empresa tem reconquistado sua participação no mercado. Provavelmente venha a passar por inúmeros desafios nos próximos anos, mas tenho certeza que superará todos, pois, agora, em vez de viver relembrando o passado, aprendeu a observar o futuro, pois é em direção a ele que ela deseja ir.


Experiências com o passado sempre são importantes para ser analisadas e utilizadas, mas devem ser tratadas como alicerce para construir um futuro, pois, empresas que se apegam unicamente ao passado, apenas sobreviverão ao presente e terão um futuro incerto.


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Inovar para não estagnar!
por Wagner Campos