Conta a história infantil que o pai de Cinderela havia ficado viúvo e em seguida se casou com uma mulher que possuía duas filhas. Esta mulher fazia pouco caso de Cinderela e a tratava com indiferença, obrigando-a a realizar todos os afazeres domésticos e vestir roupas velhas e rasgadas, enquanto suas filhas eram criadas como princesas.

Certo dia foram convidadas para um baile na casa do príncipe e Cinderela não poderia ir, pois além de ter que fazer as tarefas domésticas, também não possuía vestido para a festa. Como toda boa história que se preze, apareceu a fada madrinha que com sua varinha de condão transformou os ratos em cavalos, uma abóbora em carruagem e deu um lindo vestido e sapatos de cristal para Cinderela.

Mas havia uma condição: ela teria que voltar à meia noite. Chegando ao baile o príncipe imediatamente se apaixonou por Cinderela e dançou a noite toda somente com ela. De repente, Cinderela se deu conta de que já era meia noite e saiu correndo para não perder o encanto.

Nesse corre-corre desesperado, deixou o sapatinho de cristal cair. O príncipe o achou e procurou por todo seu reino quem teria o pé delicado que se encaixasse naquele sapatinho e quando encontrou Cinderela, mesmo toda maltrapilha na casa de sua madrasta, pediu-a em casamento e viveram felizes para sempre.

No mundo corporativo também encontramos “Cinderelas”, “príncipes” e “fadas madrinhas”. Podemos visualizar como “Cinderela” aqueles colaboradores que estão na organização há um bom tempo e sempre desempenham bem seus papéis. Algum dia serão contratados novos colaboradores (madrastas), que muitas vezes ocuparão cargos superiores aos da “Cinderela” e trarão junto suas filhas (seus vícios e habilidades a serem conhecidos), não dando atenção e valor aos profissionais que sempre contribuíram para o sucesso da empresa até aquele momento.

No intuito de apresentarem resultados, antes de conhecerem a estrutura real da empresa, o histórico, as opiniões e o funcionamento, delegam aos colaboradores tradicionais, tarefas que mudam radicalmente a rotina, sem explicar quais serão as vantagens, as razões e os benefícios (caso existam), deixando-os assim desmotivados e se sentindo desvalorizados. Estes percebem que por mais que tentem sugerir algo, não serão ouvidos, pois o funcionário “madrasta” não teve a preocupação de conhecê-los e teme que os colaboradores “Cinderelas” possam realmente possuir uma beleza superior à de suas filhas (vícios e habilidades), ou seja, possam apresentar rotinas e procedimentos adequados, aptidão e competência diferenciadas até mesmo superiores às dele.

Como se fosse um encanto de uma fada madrinha, surge uma oportunidade criada pela organização, um colaborador tem a oportunidade de apresentar sua sugestão, projeto ou idéia que ao ser analisada, verifica-se que irá gerar grandes resultados para a empresa e por isso é recompensado com uma promoção, ocupando assim uma posição hierárquica semelhante ao de sua “madrasta”. É como se fosse o momento do baile, onde o príncipe dançou somente com “Cinderela” e apaixonou-se e se casou com ela.

O detalhe é que a “madrasta” e “Cinderela” terão que trabalhar em equipe e “Cinderela” tem o “coração” do príncipe, ou seja, já obteve resultados significativos para a empresa, enquanto a “madrasta” apenas conseguiu desmotivar sua equipe. A “madrasta” saberá viver em harmonia com a “Cinderela”?

Em toda organização ocorrem várias histórias que podem ser comparadas com contos infantis. Neste caso, a fada madrinha foi simplesmente a oportunidade. O príncipe poderia ter sido a diretoria e assim por diante.

As mudanças existentes nas organizações são importantes e necessárias. Sejam elas realizadas através de idéias e aproveitamentos internos, sejam externos. Qualquer uma delas é viável desde que a comunicação se torne transparente e as estratégias adotadas pela empresa estejam claras para todos.

O aproveitamento de profissionais da equipe existente é saudável, motivador e um grande diferencial que a empresa pode oferecer. A contratação externa poderá propiciar novas formas de analisar o mercado e trazer maior energia para a equipe, mas precisa ser bem aceita e o líder deve desejar fazer parte da equipe e não apenas ser “responsável” por ela.

Conforme a história inicialmente apresentada, com tantas dificuldades e rejeições sofridas, Cinderela não desistiu de seu sonho de ir ao baile. Realizou diariamente suas atividades até o momento em que a oportunidade lhe trouxe a fada madrinha para salvá-la. Se tivesse fugido de casa para não conviver mais com aquela indiferença, o final da história teria sido diferente, sem príncipe, sem baile, sem castelo e sem final feliz.

Temos nossas opções também. Continuarmos em busca do que desejamos e acreditamos, ou fugirmos de nossa realidade e tentarmos achar uma história diferente para participarmos. Mas cada um tem sua história e o final depende de nossas escolhas. Já pensou sobre a sua?


Reprodução Autorizada desde que mencionado o autor e o site e comunicada sua utilização através do e-mail trueconsultoria@trueconsultoria.com.br


 

A Cinderela Corporativa - um conto empresarial
por Wagner Campos