Gosto muito de viajar. Acredito que a mesma satisfação exista entre a maioria da população. Conhecer novos lugares, pessoas, aprender um pouco de nossa história e do mundo, entender um pouco mais deste país maravilhoso e de tudo de bom que ele pode oferecer.

Recentemente realizei uma viagem de férias com minha família para Porto Seguro/BA. É um lugar maravilhoso, com praias lindas, paisagens encantadoras, locais que lembram a história de nosso país, onde se adquire muita cultura. No entanto, como em todo lugar, ali também há muito a se melhorar.

Percebi que apesar de se tratar de um polo turístico forte, muita coisa precisa ser explorada e aperfeiçoada. Há grande necessidade de melhoria em infraestrutura, principalmente no que se refere ao saneamento. Algumas “barracas” em determinadas praias ou até mesmo todas de outros locais nem ao menos possuem banheiros. Se o turista desejar ir ao banheiro, muitas vezes ouvirá frases como: “só há o mar para aliviar”. Em certos lugares, apesar de alguma estrutura precária, a instalação sanitária nem sempre funciona.

Mas não foi só isso que me chamou a atenção. Apesar das maravilhas e belezas da região, senti uma falta de oferta direta de serviços de turismo. Houve uma grande persuasão pela maior empresa de turismo do país para se realizar passeios na região. Os guias são razoavelmente treinados, mas alguns não têm a mínima simpatia. Negociei vários passeios (sem quase nenhuma flexibilidade da companhia) e durante um deles tive a oportunidade de conhecer empresas regionais que ofereciam os mesmos serviços a um valor de até 60% abaixo do exigido por aquela que domina o mercado. Procurei me informar melhor sobre as mesmas e me surpreendi ao saber que algumas não deixariam nada a desejar em relação à gigante companhia com a qual fechei os pacotes.

Infelizmente, as empresas regionais não têm a mesma força e abertura de grandes companhias para oferecer seus serviços nos hotéis. Essa dificuldade e competitividade vão reduzindo o crescimento das organizações locais e com certeza a exploração de todo o potencial turístico da região. O turista também é muito explorado, pagando preços bem altos e acaba levando uma imagem negativa de sua viagem, pois passa a julgar tudo com base na experiência com os serviços prestados por apenas uma empresa. Quando descobre que fez um negócio não tão interessante, sente-se acima de tudo enganado e frustrado.

O Brasil tem muito a explorar, no entanto é importante que haja melhor comunicação junto aos turistas. É preciso evitar a concorrência desleal das grandes companhias, valorizar e principalmente treinar empresas locais, ambulantes e guias regionais para que apresentem maior competitividade e bom atendimento, além de aperfeiçoar as estruturas de todas as regiões turísticas. Realizar um trabalho de conscientização junto à população onde todos “vendem” sua cidade, o turismo, as tradições, para que sejam receptivos e sintam orgulho desses locais.

Enquanto essas sugestões entre outras mudanças não ocorrem, algumas empresas e até ambulantes tratam os turistas como se desejassem que nunca mais voltassem. Parece que só se interessam em lucrar o máximo possível em uma única vez e não em realizar bons negócios para que os visitantes retornem, continuem a adquirir produtos e serviços e principalmente indiquem o local a amigos e parentes.

Se você reside em uma cidade turística e atua na área de atendimento ao visitante, lembre-se que a alegria retorna e a frustração afasta. Logo, um turista feliz e encantado retorna, indica e consome, enquanto um visitante frustrado ou decepcionado comentará sobre o que gostou, mas abordará principalmente os problemas e as características negativas, fatos estes que servirão para reduzir os futuros negócios que você poderia realizar.



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Explore o Turismo e Não o Turista!
por Wagner Campos